Revisado por Dr. Henrique Rios, ortopedista (CRM-MA 5269 | RQE 954) · Atualizado em 18/10/2026
A síndrome do túnel do carpo é a compressão do nervo mediano no punho. Ela causa formigamento, dormência e dor no polegar, indicador, médio e parte do anelar, muitas vezes pior à noite. Quando não é tratada, costuma piorar com o tempo e pode deixar perda de sensibilidade e de força na mão. Por isso vale reconhecer os sinais cedo.
Neste guia você vai conhecer os 7 sintomas mais comuns da síndrome do túnel do carpo, quem tem mais risco, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento, com e sem cirurgia.

O que é a síndrome do túnel do carpo?
O túnel do carpo é uma passagem estreita no punho, do lado da palma. O chão e as paredes são formados por pequenos ossos do punho, e o teto é um ligamento firme, que não estica.
Por dentro desse túnel passam o nervo mediano e nove tendões que dobram os dedos. O nervo mediano dá sensibilidade ao polegar, ao indicador, ao médio e à metade do anelar, e comanda músculos da base do polegar.
Quando o espaço dentro do túnel diminui, por exemplo pelo inchaço dos tendões, o nervo é apertado. É isso que provoca os sintomas da síndrome do túnel do carpo.
7 sintomas da síndrome do túnel do carpo
Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS), os sintomas mais comuns são:
- Formigamento e dormência no polegar, indicador, médio e anelar. O dedo mínimo costuma ficar livre.
- Queimação e dor nesses dedos.
- Sensação de choque que corre para os dedos.
- Dor ou formigamento que sobe pelo antebraço, às vezes até o ombro.
- Sintomas à noite, que podem acordar você. Isso acontece porque muita gente dorme com os punhos dobrados.
- Alívio ao sacudir a mão, um sinal que muitos pacientes descrevem.
- Fraqueza e falta de jeito, com dificuldade para abotoar a roupa e tendência a deixar objetos caírem.
No começo os sintomas vêm e vão. Com o tempo podem ficar constantes, e em casos graves os músculos da base do polegar ficam mais finos.
Causas e fatores de risco
Na maioria das vezes não há uma causa única. Os fatores ligados à síndrome do túnel do carpo são:
- ser mulher e ter mais idade
- herança familiar, como um túnel naturalmente mais estreito
- movimentos repetidos da mão e do punho, que podem inchar os tendões
- ficar muito tempo com o punho dobrado para cima ou para baixo
- gravidez, por causa do inchaço provocado pelos hormônios
- diabetes, artrite reumatoide e alterações da tireoide
Como é feito o diagnóstico
Na síndrome do túnel do carpo, muitas vezes a conversa e o exame físico bastam para o diagnóstico. Na consulta, o ortopedista pode:
- dar leves batidas sobre o nervo na frente do punho para ver se provocam formigamento nos dedos
- pedir que você mantenha os punhos dobrados por um tempo para ver se os sintomas aparecem
- testar a sensibilidade dos dedos com toques leves
- avaliar a força e o volume dos músculos da base do polegar
Exames complementares
Quando há dúvida ou para medir a gravidade da síndrome do túnel do carpo, o médico pode pedir:
- Eletroneuromiografia: mede como o sinal elétrico passa pelo nervo e a resposta dos músculos. Mostra a gravidade da compressão e se há problema em outros nervos.
- Ultrassonografia: mostra o nervo no punho e sinais de compressão.
- Radiografia: pedida quando há dor no punho ou limitação de movimento, para afastar artrose, lesão de ligamento ou fratura.
- Ressonância: usada em casos selecionados, para procurar outras causas.
Síndrome do túnel do carpo ou outra causa?
Outros problemas podem causar formigamento e dor na mão:
- compressão de nervos no pescoço, como na hérnia de disco cervical
- compressão de nervos em outros pontos do braço, como no cotovelo
- neuropatias, que afetam vários nervos ao mesmo tempo
- artrose da base do polegar e tendinites do punho
Às vezes dois problemas existem ao mesmo tempo, e a eletroneuromiografia ajuda a esclarecer. Para uma visão geral das causas, veja nosso guia sobre dor na mão.
Tratamento da síndrome do túnel do carpo
Tratamento sem cirurgia
É o primeiro caminho nos casos leves e moderados de síndrome do túnel do carpo.
- Tala de punho, principalmente à noite: mantém o punho reto durante o sono. Uma revisão Cochrane de 2023 concluiu que a evidência sobre a tala ainda é limitada, mas que o uso noturno pode aumentar a chance de melhora em comparação com nenhum tratamento. É uma medida simples e de baixo risco.
- Ajuste das atividades e do posto de trabalho: evitar ficar muito tempo com o punho dobrado e fazer pausas em tarefas repetitivas.
- Anti-inflamatórios, com orientação médica.
- Exercícios de deslizamento do nervo, orientados por fisioterapeuta ou terapeuta de mão.
- Infiltração com corticoide: segundo a AAOS, costuma trazer alívio apenas temporário.
Veja também nossos exercícios para a mão e saiba como funciona a imobilização com órteses.
O que a evidência diz sobre a tala
A tala é uma das medidas mais usadas na síndrome do túnel do carpo. A revisão Cochrane de 2023 reuniu 29 estudos com cerca de 1.900 adultos. Os principais achados:
- a tala usada à noite pode aumentar a chance de melhora em comparação com nenhum tratamento, com evidência de baixa certeza
- usar a tala junto com a infiltração de corticoide parece não trazer benefício extra
- usar a tala por seis meses pode ser melhor do que por seis semanas, também com evidência de baixa certeza
- alguns pacientes relataram efeitos passageiros com a tala
Os autores concluíram que a tala é barata e não tem riscos plausíveis a longo prazo. Por isso pode ser uma boa opção, principalmente para quem não quer infiltração ou cirurgia. Ainda não se sabe se é melhor usar só à noite ou o dia todo.
Cirurgia
A cirurgia é considerada quando o tratamento sem cirurgia não resolve, quando o alívio é só temporário ou quando há sinais de compressão grave do nervo, como fraqueza e afinamento dos músculos do polegar.
O procedimento se chama liberação do túnel do carpo. O cirurgião corta o ligamento que forma o teto do túnel, o que abre espaço e tira a pressão do nervo. Segundo a AAOS:
- costuma ser feita sem internação, com anestesia local, às vezes com sedação leve, ou com anestesia geral
- pode ser aberta, por uma pequena incisão na palma, ou endoscópica, por uma ou duas incisões pequenas com câmera
- as duas técnicas têm resultados semelhantes
Possíveis complicações da cirurgia
Como qualquer cirurgia, a liberação do túnel do carpo tem riscos, que devem ser conversados antes. Segundo a AAOS, os principais são sangramento, infecção, problemas de cicatrização e irritação ou lesão de nervos. O ortopedista explica como esses riscos são reduzidos no seu caso.
Recuperação após a cirurgia
Segundo a AAOS:
- os sintomas noturnos costumam melhorar em cerca de uma semana
- a dor na palma pode durar semanas a meses
- a força de preensão e de pinça costuma voltar em 2 a 3 meses, ou em 6 a 12 meses quando o nervo já estava muito comprimido
- o formigamento melhora ao longo dos primeiros meses; nos casos muito graves, a sensibilidade pode não voltar ao normal, mas a cirurgia ajuda a evitar que piore
- o retorno da síndrome do túnel do carpo após a cirurgia é raro
Logo após a cirurgia, manter a mão elevada e mexer os dedos ajuda a reduzir inchaço e rigidez.
Cuidados nas primeiras semanas após a cirurgia
Segundo a AAOS, alguns cuidados ajudam na recuperação da síndrome do túnel do carpo operada:
- manter a mão elevada acima do nível do coração nos primeiros dias
- mexer os dedos com frequência para reduzir inchaço e rigidez
- usar a tala ou o curativo pelo tempo indicado, que pode ser de algumas semanas
- retomar cedo as atividades leves, como cuidar de si, dirigir e levantar objetos leves, conforme a liberação do médico
- conversar com o médico sobre o momento de voltar ao trabalho e sobre eventuais restrições
Se a dor ou a fraqueza continuarem importantes depois de cerca de 2 meses, a AAOS recomenda considerar a terapia de mão.
O que pode atrasar a recuperação
- outros problemas na mão ou no punho, como artrose ou tendinite
- casos antigos, com dormência intensa ou afinamento dos músculos do polegar, que podem recuperar de forma menos completa
Túnel do carpo e trabalho: ajustes que ajudam
Como os movimentos repetidos e o punho dobrado por muito tempo estão entre os fatores ligados à síndrome do túnel do carpo, alguns ajustes no trabalho podem aliviar os sintomas:
- deixe o teclado e o mouse na altura dos cotovelos, com os punhos retos
- evite apoiar a base da mão na quina da mesa
- alterne tarefas e faça pausas curtas durante o dia
- use ferramentas com cabo mais grosso, que exigem menos força para segurar
- se trabalha com ferramentas que vibram, converse com o médico sobre adaptações
Mitos e verdades sobre a síndrome do túnel do carpo
“Formigamento na mão sempre é túnel do carpo.” Mito. Problemas no pescoço, no cotovelo e neuropatias também causam formigamento. A avaliação ajuda a diferenciar.
“A síndrome do túnel do carpo piora à noite.” Verdade. Muitas pessoas dormem com os punhos dobrados, o que aumenta a pressão no túnel.
“Toda síndrome do túnel do carpo precisa de cirurgia.” Mito. Nos casos leves e moderados, o tratamento começa sem cirurgia.
“Esperar muito pode deixar sequelas.” Verdade. Segundo a AAOS, a compressão prolongada pode levar a perda permanente de sensibilidade e de força.
“A cirurgia por vídeo é sempre melhor que a aberta.” Mito. Segundo a AAOS, as duas técnicas têm resultados semelhantes. A escolha é feita com o cirurgião.
“Depois da cirurgia, a síndrome do túnel do carpo volta com frequência.” Mito. Segundo a AAOS, o retorno é raro.
Quando procurar um ortopedista
- formigamento ou dormência nos dedos que se repete ou que acorda você à noite
- fraqueza na mão ou dificuldade para abotoar a roupa e segurar objetos
- afinamento dos músculos da base do polegar
- sintomas que não melhoram depois de ajustar as atividades
Quanto mais tempo o nervo fica comprimido, maior o risco de perda de sensibilidade e de força.
Como prevenir
- Faça pausas em tarefas repetitivas com as mãos.
- Mantenha o punho reto ao digitar e ao usar o mouse.
- Evite dormir com os punhos dobrados.
- Controle condições associadas, como diabetes e alterações da tireoide.
Leia também sobre LER e as dicas para evitar dor no punho.
Perguntas frequentes
Síndrome do túnel do carpo tem cura?
Nos casos leves e moderados, os sintomas costumam ser controlados com tala, ajuste das atividades e outras medidas. Quando a compressão é maior, a cirurgia tira a pressão do nervo. A recuperação depende de quanto tempo e com que intensidade o nervo ficou comprimido.
Por que a síndrome do túnel do carpo piora à noite?
Muitas pessoas dormem com os punhos dobrados, o que aumenta a pressão dentro do túnel. Por isso a tala noturna, que mantém o punho reto, é uma das primeiras medidas.
A síndrome do túnel do carpo na gravidez passa?
O inchaço causado pelos hormônios da gravidez está entre os fatores ligados à síndrome. A avaliação ajuda a definir medidas seguras para esse período.
Qual exame confirma a síndrome do túnel do carpo?
O diagnóstico costuma ser feito pelo exame físico. A eletroneuromiografia mostra a gravidade e ajuda a afastar outras causas.
Quanto tempo leva a recuperação da cirurgia?
Segundo a AAOS, os sintomas noturnos costumam melhorar em cerca de uma semana, e a força da mão volta em 2 a 3 meses na maioria das pessoas. Quando o nervo estava muito comprimido, a recuperação pode levar de 6 a 12 meses. A recuperação completa pode levar até um ano.
Devo usar a tala o dia todo ou só à noite?
A revisão Cochrane de 2023 não conseguiu definir qual forma é melhor. O uso noturno é o mais indicado, porque é quando muita gente dobra o punho. O ortopedista orienta o tempo e a forma de uso no seu caso.
Atendimento em São Luís
Se você sente formigamento ou dormência nas mãos, agende uma avaliação com o Dr. Henrique Rios, ortopedista e traumatologista, na SuperClínica, no Renascença II, em São Luís. O agendamento é feito pelo WhatsApp (98) 3311-5555. Veja mais na página inicial do site.
Referências
- American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS). Carpal Tunnel Syndrome. OrthoInfo, acesso em outubro de 2026.
- Karjalainen TV, Lusa V, Page MJ, O’Connor D, Massy-Westropp N, Peters SE. Splinting for carpal tunnel syndrome. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2023; 2: CD010003.
Dr. Henrique Rios · Ortopedista e Traumatologista · CRM-MA 5269 · RQE 954. Conteúdo informativo; não substitui a avaliação individual.