Revisado por Dr. Henrique Rios, ortopedista (CRM-MA 5269 | RQE 954) · Atualizado em 04/11/2026
A tenossinovite de De Quervain é uma inflamação de dois tendões do polegar no ponto em que eles passam por um túnel estreito, na lateral do punho. Ela causa dor no punho, do lado do polegar, que piora ao segurar objetos, torcer o punho, pegar um bebê no colo ou digitar no celular. O tratamento começa sem cirurgia e, na maioria das pessoas, resolve.
Neste guia você vai entender o que é a tenossinovite de De Quervain, quem tem mais risco, como é o teste de Finkelstein, os 5 tratamentos usados e quando a cirurgia entra.
O que é a tenossinovite de De Quervain
Do lado do polegar, no punho, dois tendões correm juntos dentro de um túnel: o abdutor longo do polegar, que afasta o polegar da mão, e o extensor curto do polegar, que ajuda a esticá-lo. Esses tendões são revestidos por uma camada lisa, a bainha sinovial, que permite que eles deslizem.
Segundo a American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS), na tenossinovite de De Quervain esses tendões ficam irritados e a bainha engrossa. Os tendões passam a não caber bem no túnel e o atrito aumenta, causando dor com certos movimentos do polegar e do punho.

Sintomas da tenossinovite de De Quervain
A AAOS descreve os sinais mais frequentes:
- dor na lateral do punho, do lado do polegar, que é o sintoma principal
- dor que pode começar aos poucos ou de repente e subir pelo antebraço
- piora ao usar a mão e o polegar, principalmente ao segurar com força, levantar objetos ou torcer o punho
- inchaço na lateral do punho, às vezes com um pequeno cisto
- sensação de estalo ou de “agarrar” ao mover o polegar
- dificuldade para mexer o polegar e o punho por causa da dor
Movimentos como abrir um pote, torcer um pano, levantar uma panela ou pegar uma criança no colo costumam ser os mais doloridos.
Causas e fatores de risco
A causa exata não é totalmente conhecida. O Manual MSD explica que, por muito tempo, a tenossinovite de De Quervain foi atribuída só ao uso repetitivo do punho, mas hoje se entende que vários fatores contribuem, como o uso excessivo, influências hormonais, predisposição genética e outras doenças.
Segundo a AAOS, os principais fatores de risco são:
- movimentos repetidos do punho e do polegar, como digitar, mexer no celular e levantar peso
- gravidez e período pós-parto. Quem desenvolve os sintomas depois de ter o bebê costuma notar entre 4 e 6 semanas após o parto
- idade na faixa dos 40 e 50 anos
- sexo feminino
- artrite reumatoide
Uma revisão publicada em 2007 no Journal of the American Academy of Orthopaedic Surgeons também aponta que o problema é mais comum em mulheres do que em homens.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é clínico, ou seja, feito na consulta. O ortopedista pergunta sobre os sintomas, as atividades e lesões anteriores, e examina a lateral do punho procurando dor e inchaço.
O teste de Finkelstein
É o teste mais conhecido. Você coloca o polegar dentro da palma, fecha os outros dedos por cima e dobra o punho em direção ao dedo mínimo. Se isso provoca dor na lateral do punho, do lado do polegar, a tenossinovite de De Quervain fica provável.
Não faça o teste com força em casa: ele serve como pista, e só o exame completo confirma.
Exames
Segundo a AAOS, radiografia e ultrassom geralmente não são necessários. Eles podem ser pedidos quando há dúvida ou para descartar outras causas. A revisão de 2007 lembra que a radiografia ajuda a afastar problemas nos ossos.
Outras causas de dor no punho do lado do polegar
Algumas condições podem parecer a tenossinovite de De Quervain:
- artrose na base do polegar, a rizartrose, que dói mais na base do polegar ao fazer pinça
- fratura do escafoide depois de uma queda com a mão esticada. Veja fratura do escafoide
- cisto sinovial no punho
- irritação de um ramo sensitivo do nervo radial, que causa formigamento no dorso do polegar
Para uma visão geral, veja o guia de dor na mão.
5 tratamentos para tenossinovite de De Quervain
O objetivo do tratamento é diminuir a irritação dos tendões e da bainha e, assim, aliviar a dor.
1. Mudar as atividades
Evitar os movimentos que provocam dor e inchaço pode, segundo a AAOS, fazer os sintomas desaparecerem sozinhos. Isso inclui reduzir o uso do celular com o polegar, mudar a forma de segurar objetos e pegar o bebê com as palmas das mãos voltadas para cima, sem fazer pinça com o polegar.
2. Tala para o polegar
Uma tala removível que mantém o punho reto e o polegar parado pode aliviar a dor, principalmente se usada à noite. Ela dá descanso aos tendões.
3. Gelo
Gelo envolto em pano por 15 minutos, a cada 4 a 6 horas, ajuda a reduzir a dor e o inchaço, segundo a AAOS. Nunca coloque o gelo direto na pele.
4. Anti-inflamatórios
Remédios anti-inflamatórios, por boca ou em gel aplicado na pele, podem reduzir o inchaço e a dor. Use apenas com orientação médica.
5. Infiltração com corticoide
A injeção de corticoide no túnel dos tendões costuma trazer bom alívio. A revisão de 2007 descreve que o tratamento não cirúrgico, com infiltração e tala para o polegar, geralmente tem sucesso. O Manual MSD acrescenta que, em alguns casos, são necessárias mais uma ou duas injeções, com intervalo de algumas semanas.
Quando a cirurgia é indicada
Segundo a AAOS, a cirurgia pode ser recomendada quando os sintomas são fortes ou não melhoram depois de cerca de 6 semanas de tratamento sem cirurgia. O procedimento abre a bainha que envolve os tendões e dá mais espaço para eles deslizarem.
Durante a cirurgia, o cirurgião identifica e protege os nervos da região e libera a bainha de forma a não deixar os tendões instáveis. A revisão de 2007 ressalta o cuidado com o ramo sensitivo do nervo radial e a importância de identificar e liberar todos os compartimentos extras, que alguns pacientes têm.
Quando procurar um ortopedista
Procure avaliação se a dor no punho do lado do polegar durar mais de duas semanas, atrapalhar o trabalho ou o cuidado com o bebê, ou voltar sempre que você retoma as atividades.
Procure atendimento sem demora se a dor começou depois de uma queda com a mão esticada, se houver deformidade, dormência importante nos dedos ou vermelhidão com febre.
Como prevenir
- faça pausas em tarefas repetitivas com as mãos
- alterne as mãos e evite segurar objetos com força por muito tempo
- reduza o uso do celular com o polegar e prefira apoiar o aparelho
- no pós-parto, aprenda a segurar o bebê sem fazer pinça com o polegar
- ajuste a posição do punho no computador
Veja também nossas dicas de exercícios para aliviar a dor na mão.
Perguntas frequentes
Tenossinovite de De Quervain tem cura?
Sim. A maioria das pessoas melhora com mudança das atividades, tala, gelo, anti-inflamatórios e, quando preciso, infiltração. Nos casos que não melhoram, a cirurgia libera os tendões.
O que é bom para tenossinovite de De Quervain?
Descanso do polegar com tala, gelo, evitar os movimentos que doem e anti-inflamatórios com orientação médica. A infiltração com corticoide ajuda muito quando essas medidas não bastam.
O que acontece se não tratar a tenossinovite de De Quervain?
A dor pode persistir e limitar o uso da mão por muito tempo. Tratar cedo costuma encurtar o caminho até a melhora.
Tenossinovite de De Quervain é grave?
Não é grave, mas pode atrapalhar bastante o dia a dia, o trabalho e o cuidado com os filhos. Por isso vale tratar.
Por que aparece depois do parto?
Mudanças hormonais e o esforço repetido de pegar o bebê no colo parecem contribuir. Segundo a AAOS, os sintomas costumam surgir entre 4 e 6 semanas após o parto.
Pode aparecer nos dois punhos?
Pode. A tenossinovite de De Quervain às vezes atinge os dois lados, por exemplo em mães que pegam o bebê no colo com as duas mãos. O tratamento é o mesmo para cada punho.
Fisioterapia ajuda na tenossinovite de De Quervain?
A fisioterapia ajuda a orientar a proteção do polegar, a adaptação das atividades e, depois que a dor melhora, o fortalecimento gradual da mão e do punho. Ela funciona junto com a tala e as outras medidas.
Quantos dias de afastamento?
Depende do trabalho, da mão dominante e da resposta ao tratamento. Quem faz movimentos repetidos com o polegar pode precisar de ajustes ou de afastamento por um período, avaliado na consulta. Após a cirurgia, o tempo de recuperação também varia de pessoa para pessoa.
Atendimento em São Luís
Se você sente dor no punho do lado do polegar, agende uma avaliação com o Dr. Henrique Rios, ortopedista e traumatologista, na SuperClínica, no Renascença II, em São Luís. O agendamento é feito pelo WhatsApp (98) 3311-5555. Conheça mais na página inicial do site e leia também sobre tendinite no punho.
Referências
- Ilyas AM, Ast M, Schaffer AA, Thoder J. De Quervain tenosynovitis of the wrist. Journal of the American Academy of Orthopaedic Surgeons, 2007; 15(12): 757-764.
- American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS). De Quervain’s Tenosynovitis. OrthoInfo, acesso em outubro de 2026.
- Steinberg DR. Síndrome de Quervain. Manual MSD, versão saúde para a família, 2024.
Dr. Henrique Rios · Ortopedista e Traumatologista · CRM-MA 5269 · RQE 954. Conteúdo informativo; não substitui a avaliação individual.