Revisado por Dr. Henrique Rios, ortopedista (CRM-MA 5269 | RQE 954) · Atualizado em 25/10/2026
A luxação da patela acontece quando a patela, o osso que fica na frente do joelho, escapa do sulco do fêmur onde normalmente se encaixa. Pode sair só em parte (subluxação) ou por completo. Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS), depois de uma primeira luxação o tratamento costuma ser sem cirurgia, com exercícios e uma órtese de estabilização, e a meta é voltar às atividades normais em 1 a 3 meses.
Neste guia você vai entender por que a patela sai do lugar, quais são os sintomas, como é feito o diagnóstico, quando é preciso operar e o que esperar do resultado.

Como funciona a patela
A patela liga os músculos da frente da coxa à tíbia, o osso da canela. Quando você dobra ou estica a perna, ela sobe e desce. O fêmur tem uma ranhura em forma de V, chamada sulco femoral ou tróclea, onde a patela desliza.
Enquanto a patela fica no sulco, você anda, corre, senta e levanta sem problemas. Ela é mantida no lugar por vários “freios”: ligamentos, músculos e o próprio formato dos ossos. Quando a patela escorrega para fora do sulco, pode haver dor e, se isso se repete, instabilidade da patela.
Por que a patela sai do lugar
Segundo a AAOS, alguns fatores deixam a patela mais propensa a sair do lugar:
- lesão do ligamento patelofemoral medial (LPFM), o ligamento que impede a patela de ir longe demais para o lado
- sulco do fêmur muito raso ou achatado para manter a patela na posição certa
- alinhamento anormal da perna, como no joelho “para dentro” (valgo)
- rotação anormal do fêmur ou da tíbia
- fixação do tendão da patela na tíbia mais para fora do que o normal, o que faz o tendão puxar a patela para fora do sulco
Causas
Segundo a AAOS, a luxação da patela costuma acontecer em uma lesão sem contato, como um giro, uma torção ou uma queda mal ajeitada. Uma pancada forte na patela também pode tirá-la do lugar.
Sintomas
Os sinais da luxação ou da instabilidade da patela incluem:
- sensação de que a patela vai sair do lugar ou se mexer (a AAOS chama de apreensão)
- a própria luxação da patela
- dor ou inchaço por lesão da cartilagem atrás da patela
Em uma luxação aguda, o Montefiore Einstein também lista como sinais: dor forte, joelho com aspecto deformado, como se um osso estivesse fora do lugar, sensação de estalo seguida da impressão de que algo saiu do lugar, e incapacidade de dobrar ou esticar o joelho.
Como é feito o diagnóstico
No exame físico, o médico pode pedir que você ande, dobre e estique o joelho. Ele também apalpa a região da patela e faz medidas para ver se há desalinhamento dos ossos ou fraqueza dos músculos da coxa.
Quanto aos exames de imagem, segundo a AAOS:
- o médico provavelmente pede uma série de radiografias
- pode pedir ressonância magnética para ver se há fragmentos soltos de osso ou de cartilagem e para avaliar ligamentos e a anatomia do joelho
- às vezes pede tomografia, se há dúvida sobre o alinhamento do joelho
Tratamento
Se a patela saiu totalmente do sulco, o primeiro passo é colocá-la de volta no lugar. Isso se chama redução. Às vezes ela volta sozinha. Em outras, o médico precisa aplicar uma força suave para empurrá-la de volta.
A AAOS alerta que uma luxação muitas vezes machuca a parte de baixo da patela e a ponta do fêmur, o que pode causar mais dor e artrose.
Tratamento sem cirurgia
Na primeira luxação, o médico provavelmente recomenda tratamento sem cirurgia: exercícios e órtese, com volta gradual ao esporte. Os exercícios fortalecem os músculos da coxa para que a patela fique alinhada. A bicicleta costuma ser recomendada como parte da fisioterapia, e uma órtese estabilizadora pode ser prescrita. A meta é voltar às atividades normais em 1 a 3 meses.
Tratamento com cirurgia
Quando a patela continua instável, a cirurgia costuma corrigir o problema. Dependendo do caso, o procedimento pode:
- reforçar e equilibrar os ligamentos e as partes moles que mantêm a patela no sulco
- corrigir o mau alinhamento dos ossos
- remodelar o sulco do fêmur
A instabilidade repetida da patela também pode aumentar o risco de lesão da cartilagem da patela, outro motivo pelo qual o médico pode recomendar a cirurgia.
Resultados
Segundo a AAOS, o tratamento sem cirurgia da primeira luxação costuma dar bons resultados, com taxa de nova luxação relativamente baixa. Mas alguns pacientes têm risco maior de repetir, e isso deve ser conversado com o médico.
A cirurgia costuma ser reservada para:
- primeiras luxações de risco muito alto
- pacientes com instabilidade que se repete
- pacientes em que a patela fica muito fora do lugar durante o movimento do joelho (mau trajeto da patela, chamado de maltracking)
Os resultados dessas cirurgias são muito bons, com taxa de nova luxação menor que 10%, segundo a AAOS.
E nas crianças?
Segundo a AAOS, a patela pode sair do lugar mais facilmente quando o sulco do fêmur é raso ou irregular, e algumas crianças têm ligamentos mais frouxos, o que deixa as articulações muito flexíveis. Em crianças com o joelho normal, a luxação costuma ser consequência de uma pancada direta ou de uma queda sobre o joelho. Exercícios como a bicicleta fortalecem o quadríceps e ajudam a prevenir novas luxações. Quando a luxação se repete por uma deformidade óssea congênita ou outra, pode ser necessária uma cirurgia mais complexa.
Quando procurar atendimento
Procure atendimento imediato se a patela saiu do lugar, se o joelho está deformado ou se você não consegue dobrar nem esticar o joelho.
Procure atendimento de urgência se, junto com a lesão, houver pele fria e pálida, ou dormência e formigamento no joelho ou abaixo dele. Segundo o Montefiore Einstein, esses são sinais que acompanham a luxação e merecem avaliação rápida.
Procure um ortopedista também se a patela já saiu do lugar mais de uma vez ou se você tem a sensação frequente de que o joelho vai falhar.
Perguntas frequentes
Quanto tempo leva para voltar às atividades depois da luxação da patela?
Na primeira luxação, com tratamento sem cirurgia, a meta da AAOS é voltar às atividades normais em 1 a 3 meses, com volta gradual ao esporte.
Toda luxação da patela precisa de cirurgia?
Não. Na primeira luxação, o mais comum é o tratamento sem cirurgia. A cirurgia costuma ser reservada para primeiras luxações de risco muito alto, instabilidade que se repete e mau trajeto da patela.
A patela pode sair do lugar de novo?
Pode. Segundo a AAOS, o tratamento sem cirurgia costuma ter taxa baixa de nova luxação, mas alguns pacientes têm risco maior de repetir. Converse com o seu ortopedista sobre o seu risco.
A cirurgia resolve?
Segundo a AAOS, os resultados são muito bons, com taxa de nova luxação menor que 10%.
Luxação da patela pode causar artrose?
A AAOS informa que a luxação muitas vezes machuca a parte de baixo da patela e a ponta do fêmur, o que pode levar a mais dor e à artrose.
Bicicleta ajuda na recuperação?
Sim. A AAOS cita a bicicleta como recomendação frequente na fisioterapia, para fortalecer os músculos da coxa e manter a patela alinhada.
Atendimento em São Luís
Se você sofreu uma lesão no joelho, o Dr. Henrique Rios é ortopedista de trauma em São Luís e trata fraturas, entorses e luxações, com consulta na SuperClínica, no Renascença II. O agendamento é feito pelo WhatsApp (98) 3311-5555. Veja também sobre condromalácia patelar, lesão no menisco e lesão do ligamento cruzado anterior.
Referências
- American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS). Patellar (Kneecap) Instability. OrthoInfo, acesso em outubro de 2026.
- American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS). Patellar Dislocation and Instability in Children (Unstable Kneecap). OrthoInfo, acesso em outubro de 2026.
- Montefiore Einstein. Patellar (Kneecap) Dislocation. Acesso em outubro de 2026.
Dr. Henrique Rios · Ortopedista e Traumatologista · CRM-MA 5269 · RQE 954. Conteúdo informativo; não substitui a avaliação individual.