Revisado por Dr. Henrique Rios, ortopedista (CRM-MA 5269 | RQE 954) · Atualizado em 18/10/2026
A rizartrose é a artrose da articulação que fica na base do polegar, perto do punho. O sinal mais típico é a dor ao abrir um pote, girar a chave ou fazer pinça com os dedos. É um problema comum, não é perigoso e, na maioria das vezes, o tratamento começa sem cirurgia.
Neste guia você vai conhecer os 6 sintomas mais comuns da rizartrose, quem tem mais risco, como o ortopedista confirma o diagnóstico e quais tratamentos têm respaldo científico.

O que é rizartrose?
O polegar se apoia num pequeno osso do punho chamado trapézio. A articulação entre os dois, chamada trapézio-metacarpal, é a que permite ao polegar fazer movimentos amplos de pinça e de oposição aos outros dedos. É por isso que você consegue segurar uma caneta, abotoar uma camisa ou girar uma maçaneta.
Na rizartrose, a cartilagem que reveste essa articulação vai se desgastando. Sem esse “amortecedor”, os ossos passam a se atritar, e surgem dor, inchaço e perda de força. É um tipo de artrose, o mesmo processo de desgaste que pode acontecer no joelho e no quadril. Por isso você também pode encontrar o nome “artrose do polegar” ou “artrose trapézio-metacarpal”.
A rizartrose é diferente da artrite reumatoide. A artrite reumatoide é uma doença inflamatória do sistema de defesa do corpo e costuma atingir várias articulações ao mesmo tempo. Para entender essa diferença, veja nosso artigo sobre artrite nas mãos.
6 sintomas da rizartrose
Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS), os sintomas mais comuns são:
- Dor na base do polegar, principalmente ao segurar, apertar ou girar objetos.
- Dor ao fazer pinça, como para pegar uma moeda, abotoar a roupa ou virar a chave.
- Perda de força para abrir potes, torcer pano ou segurar panelas.
- Inchaço e sensibilidade ao toque na raiz do polegar.
- Dor que persiste depois de usar a mão por muito tempo e, às vezes, à noite.
- Calombo ósseo e menos movimento na base do polegar, com o passar do tempo.
No começo a dor aparece só em alguns movimentos. Com a evolução, pode ficar presente em tarefas simples do dia a dia.
Causas e fatores de risco da rizartrose
A rizartrose costuma resultar de uma combinação de fatores. Segundo a AAOS, as mulheres têm de 2 a 3 vezes mais chance de desenvolver artrose do polegar, e o risco aumenta depois dos 50 anos. Outros fatores são:
- casos na família
- excesso de peso
- fratura ou lesão antiga no polegar ou no punho
- frouxidão dos ligamentos
- trabalhos ou atividades com pinça e preensão repetidas
- tabagismo
Como é feito o diagnóstico
O ortopedista começa pela conversa: onde dói, há quanto tempo, quais movimentos pioram e se houve alguma lesão antiga. Depois examina a mão, procura pontos de dor, inchaço e mede o movimento do polegar.
Um dos testes é o da “moagem”. O médico segura a base do polegar e faz movimentos de rotação. Dor, estalos ou sensação de areia na articulação reforçam a suspeita de rizartrose.
A radiografia confirma o diagnóstico. Ela mostra o espaço entre os ossos diminuído e, em fases mais avançadas, pequenos bicos de osso ao redor da articulação.
Rizartrose ou outra causa de dor no polegar?
Outras condições causam dor no mesmo lugar e precisam ser diferenciadas:
- Tendinite de De Quervain: inflamação dos tendões que movem o polegar, com dor na lateral do punho. Saiba mais em tendinite no punho.
- Síndrome do túnel do carpo: provoca formigamento e dormência no polegar, indicador e médio. Segundo a AAOS, ela costuma aparecer junto com a rizartrose, por isso o médico também investiga. Veja o artigo sobre a síndrome do túnel do carpo.
- Dedo em gatilho no polegar: o polegar trava ou estala ao dobrar e esticar.
- Fratura antiga mal consolidada ou lesão ligamentar após queda.
Tratamento da rizartrose
Tratamento conservador
É o primeiro passo na maioria dos casos de rizartrose.
- Órtese (tala) para o polegar: apoia a base do polegar durante as atividades ou à noite. Uma revisão de estudos de 2015 mostrou que a órtese reduz a dor. Uma meta-análise de 2025 apontou que a tala rígida que imobiliza a base e a articulação seguinte do polegar melhorou a função no médio prazo.
- Exercícios e terapia da mão: na mesma meta-análise de 2025, os exercícios para a mão reduziram a dor e melhoraram a força de preensão no curto prazo. O ideal é fazer com orientação de um terapeuta de mão. Veja também nossos exercícios para aliviar a dor na mão.
- Adaptação das atividades: evitar os movimentos que mais doem e usar utensílios com cabo mais grosso, abridores de pote e outros recursos que poupam a pinça.
- Gelo por alguns minutos, algumas vezes ao dia, nas crises.
- Anti-inflamatórios em comprimido ou em gel, sempre com orientação médica.
A combinação de duas ou mais dessas medidas também mostrou redução da dor no curto prazo na meta-análise de 2025.
Infiltração
Quando a dor continua apesar dessas medidas, a infiltração na articulação pode aliviar os sintomas por um período. As revisões científicas mostram alívio da dor com infiltração de corticoide ou de ácido hialurônico, mas com efeito de duração limitada. Os riscos e benefícios devem ser conversados com o médico. Entenda melhor o que é a infiltração.
Cirurgia
A cirurgia é considerada quando o tratamento conservador não controla a dor e a mão perde função no dia a dia. Existem várias técnicas:
- retirada do trapézio, com ou sem reconstrução usando um tendão
- artrodese, que é a fusão da articulação
- artroplastia, que reconstrói a articulação e preserva o movimento
- prótese da articulação
Segundo a AAOS, nenhuma técnica se mostrou claramente superior às outras. A escolha depende da idade, das atividades e do grau de artrose de cada pessoa.
Recuperação após a cirurgia
Segundo a AAOS, depois da cirurgia de rizartrose é comum usar gesso ou tala por 4 a 8 semanas. A recuperação completa leva alguns meses, e a força de preensão pode continuar melhorando por 9 a 12 meses. A terapia de mão faz parte dessa fase.
Como se preparar para a consulta
Algumas informações ajudam o ortopedista a entender o seu caso de rizartrose:
- há quanto tempo a dor começou e se houve alguma queda ou lesão antiga
- quais tarefas mais doem, como abrir potes, escrever ou usar o celular
- se há formigamento ou dormência nos dedos
- quais remédios, talas ou exercícios você já usou e o resultado
- radiografias anteriores da mão, se tiver
Quando procurar um ortopedista
Procure avaliação se:
- a dor na base do polegar dura mais de algumas semanas
- você está perdendo força para tarefas simples, como abrir potes ou segurar objetos
- surgiu um calombo ou deformidade na base do polegar
- há formigamento ou dormência nos dedos
- a dor começou depois de uma queda ou pancada, situação que pede radiografia para descartar fratura
Cuidados no dia a dia com rizartrose
- Prefira segurar objetos com a mão inteira em vez de usar só a pinça.
- Use engrossadores em canetas, talheres e escovas.
- Faça pausas em tarefas repetitivas, como digitar no celular ou costurar.
- Use a órtese nas atividades que mais doem, se o médico indicar.
- Mantenha os exercícios orientados mesmo depois que a dor melhorar.
- Peça ajuda ou use ferramentas para abrir potes e garrafas.
Perguntas frequentes
Rizartrose tem cura?
A cartilagem desgastada não volta a ser como antes. Mas os sintomas da rizartrose podem ser controlados com órtese, exercícios e outras medidas. Segundo a AAOS, os sintomas podem ficar menos incômodos com o tempo. A cirurgia fica para os casos que não respondem.
Qual a diferença entre rizartrose e tendinite de De Quervain?
As duas causam dor perto do punho, do lado do polegar. A tendinite de De Quervain é uma inflamação dos tendões que movem o polegar. A rizartrose é o desgaste da articulação na base do polegar. O exame físico e a radiografia ajudam a diferenciar.
Quem tem rizartrose pode fazer academia?
Em geral, sim, com adaptações. Pegadas mais abertas, luvas com apoio e o uso da órtese podem reduzir a carga no polegar. Converse com o ortopedista e o fisioterapeuta para ajustar os exercícios.
Rizartrose é grave?
Não é uma doença perigosa. É um problema comum, que pode incomodar bastante e limitar tarefas do dia a dia, mas que tem várias opções de tratamento.
Qual médico trata rizartrose?
O ortopedista, especialmente o que atende mão e punho, faz o diagnóstico e conduz o tratamento, muitas vezes junto com o terapeuta de mão.
Atendimento em São Luís
Se você sente dor na base do polegar, agende uma avaliação com o Dr. Henrique Rios, ortopedista e traumatologista, na SuperClínica, no Renascença II, em São Luís. O agendamento é feito pelo WhatsApp (98) 3311-5555. Veja outros conteúdos na página inicial do site.
Referências
- Spaans AJ, van Minnen LP, Kon M, Schuurman AH, Schreuders AR, Vermeulen GM. Conservative treatment of thumb base osteoarthritis: a systematic review. The Journal of Hand Surgery (American Volume), 2015; 40(1): 16-21.
- Thakker A, Ramchandani JP, Divall P, Sutton A, Johnson N, Dias J. What Are the Most Clinically Effective Nonoperative Interventions for Thumb Carpometacarpal Osteoarthritis? An Up-to-date Systematic Review and Network Meta-analysis. Clinical Orthopaedics and Related Research, 2025; 483(4): 719-736.
- American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS). Arthritis of the Thumb. OrthoInfo, acesso em outubro de 2026.
Dr. Henrique Rios · Ortopedista e Traumatologista · CRM-MA 5269 · RQE 954. Conteúdo informativo; não substitui a avaliação individual.