Revisado por Dr. Henrique Rios, ortopedista (CRM-MA 5269 | RQE 954) · Atualizado em 18/10/2026
A espondilolistese é o escorregamento de uma vértebra sobre a de baixo. É mais comum na coluna lombar, principalmente entre L4 e L5 e entre L5 e S1. Muitas pessoas descobrem a espondilolistese em um exame feito por outro motivo e nunca têm sintomas. Em outras, ela causa dor lombar, dor que desce para as pernas ou dificuldade para caminhar.
A boa notícia é que a maioria dos casos é tratada sem cirurgia. Neste guia você entende os tipos, os sintomas, como é feito o diagnóstico e quando a cirurgia passa a ser indicada.
Tipos de espondilolistese
- Degenerativa: a mais comum em adultos acima dos 50 anos, principalmente mulheres. O desgaste dos discos e das articulações da coluna deixa a vértebra menos estável. Costuma acontecer entre L4 e L5;
- Ístmica: causada por uma falha (espondilólise) em uma parte da vértebra chamada istmo. Geralmente começa na infância ou adolescência, muitas vezes ligada a esportes com hiperextensão da coluna, e é mais comum entre L5 e S1;
- Traumática, patológica e pós-cirúrgica: menos frequentes, relacionadas a fraturas, doenças do osso ou cirurgias anteriores.
Graus de escorregamento
O escorregamento é classificado em graus (classificação de Meyerding), conforme quanto a vértebra avançou sobre a de baixo:
- Grau I: até 25%;
- Grau II: de 25% a 50%;
- Grau III: de 50% a 75%;
- Grau IV: de 75% a 100%;
- Grau V (espondiloptose): a vértebra escorregou por completo.
A maioria dos casos em adultos é de grau I ou II. O grau, sozinho, não define o tratamento: os sintomas e o exame físico pesam mais.
Sintomas
- Dor lombar que piora em pé, ao caminhar ou ao inclinar o tronco para trás;
- Dor, formigamento ou fraqueza que desce para glúteos e pernas, quando há compressão de nervos;
- Cansaço ou dor nas pernas ao caminhar, que melhora ao sentar ou inclinar o tronco para a frente (claudicação neurogênica), comum quando há estenose associada;
- Sensação de rigidez e encurtamento da parte de trás das coxas, mais vista em jovens.
Perda de força progressiva ou alteração no controle da urina e das fezes pedem avaliação urgente.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa pela história e pelo exame físico. A radiografia de perfil mostra o escorregamento, e as radiografias dinâmicas (em flexão e extensão) avaliam se existe instabilidade. A ressonância magnética mostra a relação com os nervos e o canal vertebral e é pedida quando há dor irradiada, déficit neurológico ou planejamento cirúrgico. A tomografia ajuda a avaliar a falha óssea na forma ístmica.
Tratamento sem cirurgia
É a primeira opção na grande maioria dos casos:
- Fisioterapia e exercícios: fortalecimento do tronco e do quadril, mobilidade e condicionamento aeróbico;
- Ajuste de atividades: reduzir temporariamente esportes e movimentos que pioram a dor, sem ficar parado;
- Medicamentos por períodos curtos, com orientação médica;
- Infiltração epidural ou facetária, em casos selecionados, para controle da dor irradiada;
- Controle do peso, que reduz a carga na coluna.
Para orientações práticas, veja exercícios e alongamentos para dor nas costas.
Quando a cirurgia é indicada
A cirurgia é considerada quando:
- A dor nas costas ou nas pernas continua incapacitante apesar de tratamento sem cirurgia bem conduzido, em geral por pelo menos 3 a 6 meses;
- Existe perda de força progressiva ou alteração urinária ou intestinal;
- O escorregamento aumenta nos exames de controle ou há instabilidade importante;
- Há escorregamento de alto grau com sintomas, principalmente em jovens.
Como é a cirurgia
O objetivo é liberar os nervos comprimidos (descompressão) e, quando há instabilidade, estabilizar o segmento com uma artrodese, que une as vértebras com parafusos e enxerto ósseo. Em alguns casos de espondilolistese degenerativa estável, apenas a descompressão pode ser suficiente. A escolha depende dos sintomas, da estabilidade da coluna e da saúde do paciente. Entenda mais sobre a cirurgia de fusão espinhal e sobre a cirurgia da coluna.
Recuperação
Depois da cirurgia, o paciente costuma caminhar já nos primeiros dias. Atividades leves voltam em algumas semanas, e o retorno a esforços maiores é gradual, ao longo de meses, conforme a consolidação da artrodese e a reabilitação.
Espondilolistese e estenose do canal
Na forma degenerativa, é comum que o escorregamento venha junto com o estreitamento do canal vertebral. Os sintomas se parecem, e o tratamento leva em conta as duas condições. Veja estenose do canal lombar.
Atendimento em São Luís
Se você tem dor lombar persistente, dor nas pernas ao caminhar ou recebeu o diagnóstico de espondilolistese, uma avaliação ajuda a definir o melhor tratamento. O Dr. Henrique Rios atende na Superclínica, em São Luís. Conheça o atendimento de ortopedista de coluna em São Luís.
Perguntas frequentes
Espondilolistese tem cura?
O escorregamento não volta ao lugar sozinho, mas a maioria das pessoas controla bem os sintomas com tratamento sem cirurgia. Quando a cirurgia é necessária, os resultados costumam ser bons em pacientes bem selecionados.
Espondilolistese grau 1 precisa de cirurgia?
Na maioria dos casos, não. A cirurgia depende dos sintomas e do impacto na vida, e não apenas do grau.
Quem tem espondilolistese pode fazer academia?
Em geral, sim, com orientação. Fortalecimento do tronco e do quadril costuma ajudar. Exercícios com carga pesada sobre a coluna e hiperextensão repetida devem ser ajustados.
Referências
- Matz PG, et al. Guideline summary review: an evidence-based clinical guideline for the diagnosis and treatment of degenerative lumbar spondylolisthesis. Spine J. 2016;16(3):439-448.
- Ghogawala Z, et al. Laminectomy plus fusion versus laminectomy alone for lumbar spondylolisthesis. N Engl J Med. 2016;374(15):1424-1434.
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