Fratura por estresse em corredores, sinais e tratamento, Dr. Henrique Rios ortopedista em São Luís

Fratura por estresse: 5 sinais de alerta e tratamento

Revisado por Dr. Henrique Rios, ortopedista (CRM-MA 5269 | RQE 954) · Atualizado em 19/10/2026

A fratura por estresse é uma pequena trinca no osso causada por impacto repetido, e não por uma queda ou pancada. Ela é comum em corredores, em quem aumentou o treino de forma rápida e em pessoas que passaram a caminhar muito mais do que o costume. O sinal típico é uma dor em um ponto do osso que piora com o esforço e melhora com o repouso.

Neste guia você vai entender por que a fratura por estresse acontece, os 5 sinais que pedem atenção, como é feito o diagnóstico, o tratamento e como voltar a correr com segurança.

O que é fratura por estresse

O osso é um tecido vivo. Ele se desgasta e se reconstrói o tempo todo, e fica mais forte quando recebe carga na medida certa. Uma revisão publicada na Revista Brasileira de Ortopedia em 2016 explica que, quando o mesmo movimento se repete muitas vezes na mesma região, surge um desequilíbrio entre as células que retiram osso e as que formam osso novo. O osso fica cansado e pode trincar.

O mesmo artigo lembra que a fratura por estresse foi descrita pela primeira vez em soldados prussianos, em 1855. Até hoje ela é estudada em recrutas militares, que fazem longas marchas carregando peso, e em atletas.

Fratura por estresse em corredores, sinais e tratamento, Dr. Henrique Rios ortopedista em São Luís

Onde a fratura por estresse aparece

Segundo uma revisão da American Family Physician, essas fraturas são bem mais comuns nas pernas e nos pés do que nos braços. O Manual MSD informa que mais da metade delas atinge a parte de baixo da perna, com destaque para os metatarsos, os ossos do meio do pé.

Os locais mais frequentes são:

  • metatarsos, no meio do pé, que podem causar dor parecida com a metatarsalgia
  • tíbia, o osso da canela
  • calcâneo, o osso do calcanhar
  • fíbula, o osso fino na parte de fora da perna
  • colo do fêmur, perto do quadril, e a pelve

A revisão da Revista Brasileira de Ortopedia classifica algumas localizações como de alto risco, porque costumam cicatrizar mal e às vezes precisam de cirurgia. Entre elas estão o colo do fêmur, a parte da frente da tíbia, o maléolo medial (o osso saliente na parte de dentro do tornozelo), o navicular (um osso do meio do pé), o quinto metatarso, a patela e os sesamoides do dedão. Nesses casos o acompanhamento é mais rigoroso.

Causas e fatores de risco

A causa principal é carga maior do que o osso consegue suportar naquele momento. Os fatores mais ligados à fratura por estresse são:

  • aumento rápido de volume, intensidade ou frequência dos treinos
  • pouco descanso entre treinos fortes
  • tênis gasto ou com pouco amortecimento
  • mudança brusca de superfície, como passar a correr só no asfalto
  • formato do pé, como o arco muito alto
  • ossos mais frágeis, como na osteoporose e na osteopenia
  • alimentação insuficiente para o volume de treino

O Manual MSD chama a atenção para mulheres e meninas que treinam muito e comem pouco. Elas podem parar de menstruar e perder massa óssea, um quadro conhecido como tríade da atleta feminina, que aumenta o risco de fratura por estresse.

5 sinais de alerta de fratura por estresse

1. Dor em um ponto do osso, que você consegue apontar com o dedo.

2. Dor que aparece durante o exercício e, a cada treino, começa mais cedo.

3. Dor que persiste depois do treino, em repouso ou à noite.

4. Inchaço no local, como no peito do pé.

5. Dor ao apertar o osso ou ao saltar com uma perna só.

Segundo o Manual MSD, nas fraturas dos metatarsos a dor no começo some logo depois que o exercício para. Com o tempo, ela começa cada vez mais cedo e pode ficar tão forte que impede o treino e continua mesmo sem apoiar o pé.

Fratura por estresse ou canelite?

As duas causam dor na canela de quem corre, mas são diferentes. A revisão da American Family Physician explica que a canelite (síndrome do estresse tibial medial) dá uma dor espalhada ao longo da borda interna da tíbia, sem inchaço. Já a fratura por estresse da tíbia costuma doer em um ponto só, que pode estar inchado.

Se a dor da canela ficou concentrada em um lugar e não melhora com a redução do treino, a avaliação é necessária. Veja o artigo sobre canelite.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pela história do treino e pelo exame do local da dor. Depois vêm os exames de imagem:

  • radiografia, o primeiro exame. Segundo o Manual MSD, ela pode ser normal nas primeiras 2 a 3 semanas. Por isso, se a suspeita continua, a radiografia é repetida depois desse período
  • ressonância magnética, que mostra a lesão logo no início e ajuda a definir a gravidade. A American Family Physician aponta que a ressonância tem sensibilidade parecida com a da cintilografia óssea, mas é mais específica
  • cintilografia óssea, uma alternativa quando a ressonância não está disponível

Quando a fratura aparece em mulheres, principalmente na pelve ou perto do quadril, o médico pode investigar a densidade dos ossos.

Tratamento da fratura por estresse

O tratamento da fratura por estresse é, na maioria das vezes, sem cirurgia. O objetivo é tirar a carga que causou a lesão e dar tempo para o osso se recuperar.

Repouso relativo

Você deixa de fazer a atividade que provoca dor. Segundo a American Family Physician, o tratamento consiste em modificar a atividade e, se necessário para aliviar a dor, usar muletas para não apoiar o pé. Em alguns casos usa-se bota imobilizadora.

Tempo de recuperação

O tempo varia com o osso e a gravidade. Para as fraturas do pé, o Manual MSD descreve que a parte afetada não deve receber carga por pelo menos 6 a 12 semanas e que a recuperação pode levar até 12 semanas.

Manter o condicionamento

Enquanto o osso se recupera, dá para manter o condicionamento com atividades sem impacto, como natação, corrida na água e bicicleta, desde que não doam.

Corrigir a causa

Revisar o treino, o tênis, a alimentação e, quando indicado, a saúde dos ossos evita que a fratura volte.

Quando a cirurgia é indicada

A cirurgia é considerada nas fraturas de alto risco, quando o osso não consolida ou quando a fratura se repete, como descreve a American Family Physician.

Como voltar a correr

A volta deve acontecer quando a dor some no dia a dia e o exame mostra melhora. A revisão brasileira citada acima orienta iniciar o retorno gradual ao esporte depois de 10 a 14 dias sem dor, com aumento de cerca de 10% na intensidade do treino por semana. Alguns cuidados:

  • comece com caminhada rápida e depois alterne caminhada e corrida
  • aumente o volume aos poucos, sem pular etapas
  • prefira terrenos mais macios no início
  • mantenha os exercícios de fortalecimento de pernas e quadril
  • se a dor no mesmo ponto voltar, pare e procure avaliação

Para organizar o treino, veja nosso artigo sobre como prevenir lesões durante a corrida.

Quando procurar um ortopedista

Procure avaliação se a dor em um ponto do osso não melhora em uma ou duas semanas de redução do treino. Procure atendimento sem demora se:

  • não conseguir apoiar o pé ou mancar ao andar
  • sentir dor profunda na virilha ou na coxa ao apoiar o peso, que pode indicar fratura por estresse no colo do fêmur
  • houver inchaço importante ou deformidade
  • a dor aparecer em repouso ou acordar você à noite

Como prevenir a fratura por estresse

  • aumente treino, ritmo e distância aos poucos, um de cada vez
  • tenha dias leves entre treinos fortes
  • troque o tênis quando estiver gasto
  • coma o suficiente para o volume de treino
  • inclua fortalecimento muscular na rotina
  • mulheres com falhas na menstruação devem conversar com o médico

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva para curar uma fratura por estresse?

Depende do osso e da gravidade. Nas fraturas do pé, a recuperação costuma levar de 6 a 12 semanas, segundo o Manual MSD. Fraturas de alto risco podem levar mais tempo.

Fratura por estresse aparece no raio-x?

Nem sempre no começo. A radiografia pode ser normal nas primeiras 2 a 3 semanas. A ressonância magnética mostra a lesão mais cedo.

Posso andar com fratura por estresse?

Depende do local e da dor. Em muitas fraturas do pé o médico libera caminhar com bota ou calçado rígido. Em outras, é preciso usar muletas por um tempo. A orientação é individual.

O que provoca fratura por estresse?

Impacto repetido maior do que o osso consegue suportar, como aumento rápido do treino, pouco descanso, tênis gasto, alimentação insuficiente e ossos mais frágeis.

Fratura por estresse no pé dói em repouso?

No começo, a dor costuma aparecer só durante o esforço e melhorar com o repouso. Segundo o Manual MSD, com a continuação do exercício a dor começa cada vez mais cedo e pode persistir mesmo sem apoiar o pé. Dor em repouso é sinal para parar e procurar avaliação.

Atendimento em São Luís

Se você corre e sente dor em um ponto do osso, agende uma avaliação com o Dr. Henrique Rios, ortopedista e traumatologista, na SuperClínica, no Renascença II, em São Luís. O agendamento é feito pelo WhatsApp (98) 3311-5555. Conheça mais na página inicial do site e leia também sobre as contusões mais comuns na corrida de rua.

Referências


Dr. Henrique Rios · Ortopedista e Traumatologista · CRM-MA 5269 · RQE 954. Conteúdo informativo; não substitui a avaliação individual.

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