Revisado por Dr. Henrique Rios, ortopedista (CRM-MA 5269 | RQE 954) · Atualizado em 18/10/2026
A hérnia de disco acontece quando parte do disco que fica entre duas vértebras sai do seu lugar e passa a irritar ou comprimir um nervo. O resultado costuma ser dor que desce para a perna (ou para o braço, quando é no pescoço), formigamento e, às vezes, perda de força. A boa notícia: a maioria das pessoas melhora sem cirurgia, geralmente nas primeiras semanas a poucos meses.
Neste guia você vai entender o que é a hérnia, como reconhecer os sintomas, quais sinais pedem atendimento urgente, como é feito o diagnóstico, quais tratamentos têm boa evidência e quando a cirurgia passa a ser uma opção.
O que é a hérnia de disco
A coluna é formada por vértebras empilhadas e, entre elas, existem os discos intervertebrais. Cada disco tem uma parte externa mais firme (o ânulo fibroso) e um centro gelatinoso (o núcleo pulposo), que funciona como amortecedor.
Com o tempo, ou depois de uma sobrecarga, o ânulo pode apresentar fissuras. Parte do núcleo então se desloca para fora do limite normal do disco. Quando esse material encosta em uma raiz nervosa, causa inflamação e compressão, e é daí que vêm a dor irradiada e o formigamento.
Tipos de hérnia de disco
Nos laudos de ressonância, você pode encontrar estes termos:
- Abaulamento discal: o disco se estende de forma difusa além das vértebras. É muito comum e, na maior parte das vezes, não é considerado hérnia.
- Protrusão: o disco sai do lugar, mas a base do deslocamento é mais larga que a ponta.
- Extrusão: o material sai com uma “ponta” maior que a base, como uma gota.
- Sequestro: um fragmento se solta completamente do disco.
Um ponto que surpreende muita gente: hérnias maiores (extrusas e sequestradas) estão entre as que mais regridem sozinhas, porque o organismo reconhece o fragmento e o reabsorve com o tempo. Falamos mais sobre isso em hérnia de disco tem cura?.
Onde ela aparece com mais frequência
- Coluna lombar: é a região mais acometida, principalmente entre L4 e L5 e entre L5 e S1. Costuma causar dor que desce para glúteo, coxa, perna e pé (a ciatalgia).
- Coluna cervical: mais comum entre C5 e C6 e entre C6 e C7. A dor desce para ombro, braço e mão.
- Coluna torácica: é rara.
Sintomas da hérnia de disco
Os sintomas dependem do nível da coluna e de qual nervo está sendo irritado. Os mais comuns são:
- Dor que irradia para a perna (hérnia lombar) ou para o braço (hérnia cervical), muitas vezes mais forte que a dor nas costas ou no pescoço;
- Formigamento, dormência ou sensação de choque no trajeto do nervo;
- Fraqueza em um grupo muscular específico, como dificuldade para ficar na ponta do pé ou levantar a ponta do pé;
- Piora ao sentar por muito tempo, tossir, espirrar ou fazer força;
- Na cervical, dor na nuca e na escápula, com irradiação para o braço.
Nem toda dor nas costas é hérnia de disco. A maior parte das dores lombares é inespecífica e melhora sozinha. Veja também nosso guia sobre dor lombar: causas e tratamento e sobre como aliviar a dor ciática.
Sinais de alerta: quando procurar atendimento urgente
Procure um pronto atendimento imediatamente se a dor na coluna vier acompanhada de:
- Dificuldade nova para urinar, retenção urinária ou perda do controle da urina ou das fezes;
- Dormência na região íntima, entre as pernas ou nas nádegas (a chamada “anestesia em sela”);
- Perda de força que piora rapidamente em uma ou nas duas pernas;
- Febre, perda de peso sem explicação, história de câncer ou dor depois de um trauma importante.
Esses sinais podem indicar síndrome da cauda equina ou outra condição grave, que precisa de avaliação no mesmo dia.
Causas e fatores de risco
A hérnia de disco costuma resultar de uma combinação de fatores. O desgaste natural dos discos com a idade tem papel importante, e a genética também influencia. Outros fatores que aumentam o risco:
- Idade entre 30 e 50 anos, faixa em que a hérnia lombar sintomática é mais frequente;
- Trabalho com levantamento de peso repetido, torção do tronco ou vibração (como dirigir muitas horas);
- Tabagismo, que prejudica a nutrição do disco;
- Sobrepeso e sedentarismo, com musculatura do tronco pouco condicionada.
Muitas vezes a dor começa depois de um esforço simples, como pegar um objeto do chão. Esse movimento costuma ser só a “gota d’água” em um disco que já vinha se desgastando. Para reduzir riscos, veja como evitar a hérnia de disco.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa pela conversa e pelo exame físico. O ortopedista avalia força, sensibilidade e reflexos e faz testes que tensionam a raiz nervosa, como a elevação da perna estendida.
A ressonância magnética é o exame que melhor mostra o disco e os nervos, mas nem todo paciente precisa dela logo no início. Ela é indicada quando há sinais de alerta, perda de força, sintomas que não melhoram depois de algumas semanas de tratamento ou quando se planeja infiltração ou cirurgia.
Um detalhe importante: hérnias e abaulamentos aparecem com frequência em pessoas sem nenhuma dor. Estudos com adultos sem sintomas mostram protrusões discais em cerca de um terço dos casos, e esse número cresce com a idade. Por isso, o laudo sozinho não define o tratamento. O que importa é se a imagem combina com os sintomas e com o exame físico.
Tratamento sem cirurgia
Para a grande maioria dos pacientes, o tratamento começa sem cirurgia. O objetivo é controlar a dor, manter a pessoa ativa e recuperar a função enquanto o organismo faz sua parte.
Manter-se ativo
Repouso prolongado na cama não ajuda e pode atrasar a recuperação. O ideal é continuar se movimentando dentro do que a dor permite, com caminhadas curtas e ajustes na rotina. Retornar ao trabalho com adaptações costuma fazer parte do tratamento.
Medicamentos
Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser usados por períodos curtos, sempre com orientação médica. Em dores com componente neuropático importante, o médico pode avaliar outras classes de remédios. A automedicação não é recomendada, principalmente para quem tem problemas de estômago, rins, pressão alta ou está grávida.
Fisioterapia e exercícios
A fisioterapia ajuda no controle da dor e, principalmente, na reabilitação: fortalecimento do tronco e dos membros, mobilidade e retorno gradual às atividades. Exercício orientado é uma das medidas com melhor respaldo para dor lombar persistente.
Infiltração
Quando a dor irradiada é intensa e não cede com as medidas iniciais, a infiltração epidural ou foraminal (aplicação de anestésico e corticoide perto do nervo, guiada por imagem) pode ser considerada. Ela costuma aliviar a dor por algumas semanas ou meses, o que ajuda o paciente a avançar na reabilitação. Não “derrete” a hérnia, mas pode ser uma ponte importante.
Para mais detalhes sobre a evolução natural e a regressão da hérnia, leia hérnia de disco tem cura? O que a ciência diz.
Quando a cirurgia é indicada
A cirurgia é considerada em uma minoria dos casos. As principais situações são:
- Síndrome da cauda equina: é uma urgência cirúrgica;
- Perda de força importante ou progressiva por compressão do nervo;
- Dor irradiada incapacitante que persiste depois de um tratamento sem cirurgia bem conduzido, em geral por 6 a 12 semanas, quando a imagem confirma a compressão correspondente.
Estudos que compararam cirurgia e tratamento conservador mostram que a cirurgia alivia a dor da perna mais rápido, mas, depois de um ou dois anos, os dois grupos tendem a ficar parecidos. Por isso, na maioria dos casos sem déficit importante, a decisão é compartilhada: depende da intensidade da dor, do impacto na vida e da preferência do paciente.
Veja em detalhe os critérios em quando operar a hérnia de disco.
Como é a cirurgia
A técnica mais usada é a microdiscectomia, que remove apenas o fragmento que comprime o nervo, por uma incisão pequena e com auxílio de microscópio. Técnicas endoscópicas permitem incisões ainda menores em casos selecionados. Cirurgias com parafusos (artrodese) ficam reservadas para situações específicas, como instabilidade associada.
A internação costuma ser curta, muitas vezes de um dia, e o paciente caminha no mesmo dia ou no dia seguinte. Entenda as etapas e a recuperação em cirurgia de hérnia de disco: como é feita e recuperação.
Recuperação e retorno às atividades
Com ou sem cirurgia, a recuperação é gradual. Em geral:
- A dor na perna costuma ser a primeira a melhorar; o formigamento pode demorar mais;
- A força tende a voltar ao longo de semanas a meses, dependendo do tempo e da intensidade da compressão;
- Atividades leves e trabalho de escritório costumam ser retomados antes de esforços pesados e esportes de impacto;
- Manter o fortalecimento depois da melhora reduz o risco de novas crises.
Hérnia de disco na gravidez
As mudanças de postura e de peso na gestação aumentam a carga sobre a coluna lombar, e muitas mulheres têm dúvidas sobre tratamento e parto. Reunimos tudo em hérnia de disco na gravidez: sintomas, tratamento e cuidados.
Como prevenir novas crises
- Pratique atividade física regular e fortaleça abdômen, glúteos e costas;
- Ao levantar peso, dobre os joelhos e mantenha o objeto perto do corpo;
- Faça pausas quando passar muito tempo sentado ou dirigindo;
- Mantenha o peso adequado e evite o cigarro.
Tratamento da hérnia de disco em São Luís
Se você tem dor que desce para a perna ou para o braço, formigamento ou perda de força, uma avaliação ortopédica ajuda a entender a causa e definir o melhor caminho. O Dr. Henrique Rios atende na Superclínica, em São Luís. Saiba mais sobre o atendimento de ortopedista de coluna em São Luís.
Perguntas frequentes
Hérnia de disco tem cura?
Na maioria dos casos, os sintomas melhoram muito ou desaparecem com o tempo, e parte das hérnias diminui de tamanho sozinha. O disco não volta a ser “novo”, mas é possível viver sem dor e sem limitações. Leia a explicação completa.
Quanto tempo dura uma crise de hérnia de disco?
Muitas pessoas melhoram de forma significativa em 6 a 12 semanas. Dor intensa que não melhora, ou perda de força, merece reavaliação antes disso.
Hérnia de disco sempre precisa de cirurgia?
Não. A cirurgia é indicada em uma minoria dos casos, principalmente quando há perda de força importante, síndrome da cauda equina ou dor incapacitante que não melhora com o tratamento sem cirurgia.
Posso fazer academia com hérnia de disco?
Na maioria dos casos, sim, e o exercício faz parte do tratamento. Na fase de dor forte, o treino precisa ser adaptado. Depois, a progressão de cargas deve ser orientada por profissional.
Qual médico trata hérnia de disco?
O ortopedista especializado em coluna e o neurocirurgião tratam hérnia de disco. O fisioterapeuta é parceiro importante na reabilitação.
Preciso fazer ressonância?
Nem sempre no início. A ressonância é indicada quando há sinais de alerta, perda de força, sintomas persistentes ou planejamento de infiltração ou cirurgia.
Referências
- Kreiner DS, et al. An evidence-based clinical guideline for the diagnosis and treatment of lumbar disc herniation with radiculopathy. North American Spine Society. Spine J. 2014;14(1):180-191.
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management (NG59). 2016.
- Weinstein JN, et al. Surgical vs nonoperative treatment for lumbar disk herniation: the Spine Patient Outcomes Research Trial (SPORT). JAMA. 2006;296(20):2441-2450.
- Peul WC, et al. Surgery versus prolonged conservative treatment for sciatica. N Engl J Med. 2007;356(22):2245-2256.
- Chiu CC, et al. The probability of spontaneous regression of lumbar herniated disc: a systematic review. Clin Rehabil. 2015;29(2):184-195.
- Brinjikji W, et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. AJNR Am J Neuroradiol. 2015;36(4):811-816.
Leia também: Como funciona o raio-X da coluna · Dor na coluna é a principal causa de afastamento do trabalho · Nódulo de schmorl: o que é e como tratar