Revisado por Dr. Henrique Rios, ortopedista (CRM-MA 5269 | RQE 954) · Atualizado em 18/10/2026
Bico de papagaio é o nome popular dos osteófitos, pequenas saliências ósseas que se formam nas bordas das vértebras. Eles fazem parte da artrose da coluna (espondilose), o desgaste natural dos discos e das articulações entre as vértebras com o passar dos anos. O nome vem do formato curvo que aparecem na radiografia.
Ter bico de papagaio no exame é muito comum depois dos 50 anos e, sozinho, não significa que ele seja a causa da dor. Muitas pessoas têm osteófitos e nenhum sintoma.
Por que o bico de papagaio aparece
Com o tempo, os discos perdem altura e hidratação, e as articulações da coluna recebem mais carga. O corpo responde formando osso novo nas bordas das vértebras, numa tentativa de estabilizar o segmento. Contribuem para isso:
- Idade e fatores genéticos;
- Sobrecarga repetida e trabalhos braçais;
- Excesso de peso e sedentarismo;
- Lesões e alterações de postura antigas, como escoliose.
Sintomas
- Dor nas costas ou no pescoço, com rigidez, geralmente pior ao acordar ou depois de ficar muito tempo na mesma posição;
- Dor que melhora com movimento leve e piora com esforço prolongado;
- Quando o osteófito estreita o espaço dos nervos: dor, formigamento ou fraqueza que desce para braços (coluna cervical) ou pernas (coluna lombar);
- Na lombar, dor e cansaço nas pernas ao caminhar, que melhoram ao sentar, sinal de estenose do canal lombar.
Como é feito o diagnóstico
A radiografia mostra os osteófitos, a redução do espaço dos discos e o alinhamento. A ressonância é indicada quando há sintomas nos braços ou pernas, perda de força ou suspeita de compressão de nervos. Como os achados de desgaste são frequentes em pessoas sem dor, o exame sempre é interpretado junto com a consulta.
Tratamento
Não existe remédio que “dissolva” o bico de papagaio, e na maioria dos casos isso nem é necessário. O tratamento é voltado para a dor e a função:
- Exercícios e fisioterapia: fortalecimento, mobilidade e condicionamento são a base. Veja exercícios e alongamentos para dor nas costas;
- Medicamentos por períodos curtos nas crises, com orientação médica;
- Calor local e ajustes de rotina;
- Controle do peso;
- Infiltrações em casos selecionados, como bloqueios facetários ou epidurais, quando a dor não melhora;
- Cirurgia apenas quando há compressão importante de nervos ou da medula com perda de força, ou dor incapacitante que não melhora. Veja cirurgia de coluna: tipos e indicações.
Bico de papagaio na coluna cervical
No pescoço, os osteófitos podem causar dor e rigidez cervical e, quando comprimem raízes nervosas, dor e formigamento no braço. Raramente, comprimem a medula, causando desequilíbrio, perda de destreza nas mãos e alteração da marcha, situação que precisa de avaliação rápida. Veja também dor cervical: causas e tratamento.
Como conviver bem com a artrose da coluna
- Mantenha atividade física regular, como caminhada, hidroginástica e fortalecimento;
- Evite ficar muito tempo na mesma posição;
- Cuide do sono e do peso;
- Procure avaliação se a dor mudar de padrão ou vier com sintomas nos braços ou pernas.
Para entender a artrose de forma geral, veja o guia completo sobre artrose.
Atendimento em São Luís
Se você tem dor na coluna e recebeu o diagnóstico de bico de papagaio, uma avaliação ajuda a entender se ele é mesmo a causa e a definir o tratamento. O Dr. Henrique Rios atende na Superclínica, em São Luís. Conheça o atendimento de ortopedista de coluna em São Luís.
Perguntas frequentes
Bico de papagaio tem cura?
Os osteófitos não desaparecem, mas a dor pode ser controlada na grande maioria dos casos com exercícios e tratamento adequado.
Bico de papagaio é o mesmo que artrose na coluna?
O bico de papagaio é um dos sinais da artrose na coluna. A artrose também envolve o desgaste dos discos e das articulações entre as vértebras.
Quem tem bico de papagaio pode fazer academia?
Sim, na maioria dos casos, com orientação. O fortalecimento ajuda a proteger a coluna.
Referências
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management (NG59). 2016.
- Brinjikji W, et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. AJNR Am J Neuroradiol. 2015;36(4):811-816.
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